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Quanto tempo leva para se recuperar da síndrome de Guillain‑Barré?

  • Foto do escritor: Ariely Teotonio Borges
    Ariely Teotonio Borges
  • 22 de jan.
  • 3 min de leitura

Quem recebe o diagnóstico de síndrome de Guillain‑Barré costuma ter uma dúvida imediata: vou me recuperar? E em quanto tempo?

Essa é uma pergunta difícil, porque a recuperação é muito variável. Mas vou explicar aqui o que sabemos com base na medicina, no que a ciência já estudou e, principalmente, na minha vivência com pacientes que já passaram por isso.

O que acontece após o diagnóstico?

A síndrome de Guillain‑Barré é uma condição neurológica autoimune em que o próprio sistema imunológico ataca os nervos periféricos. Isso provoca sintomas como formigamento, fraqueza e até paralisia.

Os sintomas podem progredir rápido, por isso a fase inicial da doença requer internação hospitalar imediata. Em muitos casos, o paciente precisa de suporte intensivo (UTI) para ajudar a respirar, engolir ou manter funções básicas do corpo. Mas, depois desse susto inicial, o caminho é a recuperação.

A recuperação é possível?

Sim. A grande maioria dos pacientes com Guillain‑Barré se recupera.

Estudos mostram que:

  • Cerca de 80% dos pacientes voltam a andar de forma independente até 6 meses após o início dos sintomas.

  • Aproximadamente 60% voltam ao trabalho ou à escola depois de 1 ano.

  • Porém, até 20% dos pacientes podem manter alguma sequela, como fraqueza, dor ou fadiga crônica.

  • Em casos mais graves, a recuperação pode levar mais de 2 anos.

Ou seja, a recuperação acontece, mas nem sempre é rápida nem completa. E é aqui que entra o papel do acompanhamento médico e da reabilitação.

Como é a recuperação na prática?

A recuperação da síndrome de Guillain‑Barré acontece em fases:

1. Fase de estabilização (hospitalar)Controle da inflamação dos nervos com imunoglobulina intravenosa (IGIV) ou plasmaférese, além de suporte respiratório e nutricional, se necessário.

2. Fase de recuperação ativa (semanas a meses)Começa assim que os sintomas param de piorar. O paciente inicia fisioterapia, terapia ocupacional e, em alguns casos, fonoaudiologia.

3. Fase de reabilitação prolongada (meses a anos)Foco em readquirir força, equilíbrio e autonomia. Muitos pacientes continuam com fisioterapia mesmo após voltar para casa.

Durante esse processo, é comum que o paciente enfrente fadiga intensa, que dificulta os treinos e atividades diárias. Isso precisa ser respeitado e monitorado — forçar demais pode atrapalhar mais do que ajudar.

O que pode afetar o tempo de recuperação?

Alguns fatores interferem no ritmo da recuperação:

  • Gravidade dos sintomas iniciais

  • Necessidade de ventilação mecânica

  • Idade do paciente

  • Rapidez no início do tratamento

  • Tipo específico de Guillain‑Barré (existem subtipos)

Quanto mais precoce for o diagnóstico e o início do tratamento, maiores são as chances de uma recuperação mais rápida e com menos sequelas.

quanto tempo para recuperar Guillain‑Barré

Recuperação emocional também importa

Um ponto importante: não é só o corpo que precisa de tempo. Muitos pacientes desenvolvem ansiedade, depressão ou medo de uma nova crise. O acompanhamento psicológico pode ser essencial nesse período.

Se você ou alguém próximo está em recuperação da síndrome de Guillain‑Barré, procure um neurologista de confiança, siga o plano de reabilitação, respeite os limites do corpo e mantenha o acompanhamento médico por tempo prolongado.

A recuperação é um processo, não um evento. E cada passo importa.


Sou Dra. Ariely Teotonio Borges, médica neurologista, e trabalho junto com cada um dos meus pacientes, utilizando estratégias que os ajudem a melhorar sua rotina e qualidade de vida.



Fontes:

  • UpToDate – “Guillain-Barré syndrome: Treatment and prognosis”

  • National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS) – Guillain-Barré Fact Sheet

  • Van den Berg B, et al. "Guillain-Barré syndrome: pathogenesis, diagnosis, treatment and prognosis". Nat Rev Neurol. 2014.

  • Hughes RA, et al. "Guillain-Barré syndrome". Lancet. 2005.

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Responsável Técnico:
Dra Ariely Teotonio Borges - CRM 8262MT

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