DBS no Parkinson: para quem é indicado e como funciona
- Ariely Teotonio Borges

- há 4 dias
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Quando a medicação para Parkinson começa a perder efeito, ou os efeitos colaterais ficam mais difíceis de controlar, é comum o neurologista mencionar o DBS (estimulação cerebral profunda).
Mas o que exatamente é esse procedimento? E ele é indicado para todo mundo com Parkinson?
Neste texto, você vai entender o que é o DBS, para quem ele realmente é indicado, como é feita a avaliação antes da cirurgia e o que muda na rotina depois dela.
O que é o DBS?
DBS é a sigla para Deep Brain Stimulation, ou estimulação cerebral profunda. É um procedimento cirúrgico em que eletrodos são implantados em áreas específicas do cérebro ligadas ao controle do movimento. Esses eletrodos são conectados a um gerador (parecido com um marcapasso), que envia estímulos elétricos capazes de modular a atividade anormal responsável pelos sintomas motores do Parkinson.
Importante: o DBS não cura o Parkinson nem interrompe sua progressão, mas pode reduzir significativamente sintomas como tremor, rigidez e as flutuações causadas pela medicação.
DBS no Parkinson: para quem é indicado?
O DBS não é indicado para todos os pacientes com Parkinson. De forma geral, costuma ser considerado quando:
A medicação já não controla bem os sintomas motores, mesmo otimizada
Há flutuações motoras importantes (períodos de melhora e piora ao longo do dia, relacionados ao efeito da medicação)
Existem discinesias (movimentos involuntários) incapacitantes causadas pelo tratamento medicamentoso
O paciente ainda responde bem à levodopa (isso é um critério importante de seleção)
Não há comprometimento cognitivo significativo nem quadros psiquiátricos graves não controlados
Pacientes com tremor predominante e de difícil controle medicamentoso também costumam ser bons candidatos.
Como é feita a avaliação antes do procedimento
A indicação do DBS não é feita de forma isolada, envolve uma avaliação multidisciplinar cuidadosa, que costuma incluir:
Avaliação neurológica detalhada, incluindo o chamado "teste de resposta à levodopa"
Avaliação neuropsicológica, para checar memória, atenção e humor
Exames de imagem cerebral
Discussão em equipe (neurologista, neurocirurgião e, muitas vezes, psiquiatra ou neuropsicólogo) sobre riscos e benefícios individuais
Esse processo existe justamente para garantir que o procedimento seja indicado para quem realmente vai se beneficiar dele.

O que muda na rotina depois do DBS
Depois do implante, o acompanhamento continua sendo essencial:
A programação do dispositivo é ajustada ao longo do tempo, em consultas específicas para isso
A medicação geralmente é mantida, mas em doses menores
Os sintomas motores (tremor, rigidez, discinesias) costumam melhorar de forma expressiva
Sintomas não motores (sono, humor, constipação, por exemplo) podem continuar precisando de manejo específico, já que o DBS atua principalmente sobre os sintomas motores
O DBS é uma ferramenta poderosa no tratamento do Parkinson, mas funciona melhor como parte de um acompanhamento contínuo, não como um procedimento pontual que "resolve" a doença.
Sou Dra. Ariely Teotonio Borges, médica neurologista com fellowship em Distúrbios do Movimento e Toxina Botulínica, e faço a indicação e o acompanhamento de pacientes elegíveis para DBS, incluindo a programação do dispositivo ao longo do tratamento.
Fontes
Parkinson's Foundation — Deep Brain Stimulation
International Parkinson and Movement Disorder Society (MDS)
National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS)
Mayo Clinic — Deep brain stimulation





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