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Sintomas voltaram, quando pode ser questão de programação do DBS

  • Foto do escritor: Ariely Teotonio Borges
    Ariely Teotonio Borges
  • 1 de jul.
  • 4 min de leitura

“Eu estava bem e piorou de novo.” “Parecia que tinha dado certo, mas agora voltou tudo.” “Será que o DBS parou de funcionar?”

Sintomas voltarem pode acontecer por vários motivos. Às vezes é ajuste fino de programação, pode ser a medicação ou a bateria. E, em alguns casos, pode ser algo do sistema que precisa ser checado com prioridade. Programação e acompanhamento são parte do tratamento ao longo do tempo, não um detalhe do pós operatório.

Neste texto, eu vou te mostrar os cenários mais comuns e como conduzir com segurança.

1) Primeiro, duas perguntas:

Foi súbito ou foi gradual?

Se foi um declínio lento, ao longo de semanas ou meses, eu penso mais em necessidade de ajuste de programação, ajuste de medicação, progressão do quadro e rotina. Se foi uma piora súbita, de um dia para o outro, ou em poucas horas, eu quero descartar primeiro “DBS desligou”, bateria no fim, falha do sistema, e gatilho clínico associado.

Voltou tudo ou voltou um pedaço?

Outro detalhe prático. Sintomas voltarem “iguais ao antes” sugere mais perda de estímulo efetivo. Sintomas voltarem “parcialmente” pode ser programação, medicação ou mudança do próprio Parkinson.

2) Quando pode ser programação, de verdade?

Na programação precisamos encontrar um ponto que melhora sintomas e evita efeitos colaterais, e isso exige ajuste ao longo do tempo. Situações em que programação costuma ser ajustada:

Sintomas mudaram com o tempo

O Parkinson muda e os objetivos também. Um ajuste que era ótimo há 6 meses pode não ser o melhor hoje. A própria orientação de DBS reforça que a programação continua com consultas de acompanhamento para refinamento.

Sintoma específico voltou

Por exemplo, tremor voltou mais do que rigidez. Ou travamentos ao andar aumentaram mais do que tremor. Às vezes o que precisa é mudar estratégia de programação.

Efeito colateral apareceu junto

Fala piorou, equilíbrio ficou estranho, formigamento, contrações, sensação de “puxão”. Isso pode indicar que o ponto atual não está bem equilibrado.

3) Quando não é só programação, e eu quero checar o sistema

O estimulador pode estar desligado, ou a terapia pode ter parado. Se o neuroestimulador está desligado, os sintomas podem retornar, em algumas pessoas rápido. Além disso, a terapia pode parar por problemas mecânicos ou elétricos, e isso pode fazer sintomas retornarem ou piorarem.

Bateria chegando ao fim

Bateria perto do fim pode dar piora progressiva ou, em alguns cenários, piora marcante quando a estimulação cai. Existe literatura descrevendo que a depleção da bateria pode levar a recorrência súbita de sintomas.

Impedância alta, falha de cabo, conexão, ou outros problemas de hardware

Uma perda súbita do efeito pode acontecer com impedância alta e problemas no circuito, e há relatos em que a troca do gerador foi um primeiro passo útil em casos selecionados. Na prática, a checagem técnica costuma incluir impedância e bateria, porque isso muda a decisão.

4) O que você pode fazer em casa, sem arriscar

  1. Verifique no controle do paciente se o DBS está ligado, e se há alertas de bateria, quando o seu modelo permite esse tipo de checagem.

  2. Anote quando começou a piora, e se foi súbita ou gradual.

  3. Anote se foi de um lado ou dos dois lados, e em quais sintomas.

  4. Anote quedas, engasgos, confusão, alucinações, ansiedade importante, e qualquer mudança de medicação nessa fase.

  5. Se possível, grave dois vídeos curtos, andando e com o sintoma mais evidente.

5) Quando procurar o neurologista?

Procure seu neurologista com prioridade se houver:

• Piora súbita importante, principalmente se parece “desligou de vez”, porque isso pode ser bateria, impedância ou falha do sistema.

• Sinais de infecção no local do implante, como vermelhidão, secreção, dor local importante ou febre.

• Quedas frequentes, travamentos perigosos, ou perda de controle que aumente risco em casa.

• Confusão súbita intensa, sonolência fora do padrão ou febre, porque isso pode ser gatilho clínico associado e precisa avaliação.

tremores voltaram mesmo após a cirurgia de DBS

O que é comum

É comum a pessoa sentir que “voltou tudo” quando o DBS ainda está em fase de refinamento, ou quando houve mudança de rotina e remédio. Também é comum a família achar que programação é um detalhe, e descobrir que ela é parte central do tratamento. A própria Parkinson’s Foundation deixa claro que programação exige várias visitas para encontrar os melhores ajustes e continua ao longo do tempo.

Perguntas frequentes

Sintomas voltarem significa que o DBS falhou? Nem sempre. Pode ser ajuste de programação, ajuste de medicação, bateria ou algo técnico do sistema. O padrão da piora é o que guia a investigação.

Se o DBS desligar, os sintomas voltam rápido? Alguns sintomas voltam rápido, outros podem demorar mais. Isso varia.

Como o médico checa se é programação ou problema do aparelho? A checagem costuma incluir parâmetros de programação, impedância e bateria, além do exame clínico e do padrão do dia a dia.


Sou Dra. Ariely Teotonio Borges, médica neurologista, e trabalho junto com cada um dos meus pacientes, utilizando estratégias que os ajudem a melhorar sua rotina e qualidade de vida.



Fontes

Parkinson’s Foundation, DBS e programação com ajustes ao longo do tempo.

NINDS, DBS e necessidade de acompanhamento e ajustes.

Shukla et al., programação inclui checagem de impedância e bateria.

Cambridge University Hospitals, orientações pós alta e sinais para contato, incluindo suspeita de complicações.

Medtronic, sintomas podem retornar se o neuroestimulador estiver desligado e a terapia pode parar por problemas mecânicos ou elétricos.

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CNPJ: 37.015.970/0001-70

Razão Social: ATB SERVICOS MEDICOS LTDA

Responsável Técnico:
Dra Ariely Teotonio Borges - CRM 8262MT

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