Ajuste e reprogramação do aparelho de DBS para Parkinson ou Tremor Essencial: o acompanhamento após a cirurgia é fundamental
- Ariely Teotonio Borges

- 1 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Muitos pacientes com Parkinson ou tremor essencial colocam o aparelho de DBS (estimulação cerebral profunda) com grande expectativa. E com razão: é um tratamento altamente eficaz. Mas o que pouca gente sabe é que a cirurgia não é o fim do processo, é apenas o começo.
Com o tempo, alguns pacientes percebem que os sintomas voltam a incomodar. Outros acham que “o aparelho parou de funcionar” e até desligam por conta própria. É aí que mora o problema.
Neste texto, você vai entender por que a programação do DBS é tão importante quanto a cirurgia, como ela é feita e por que você não deve adiar esse acompanhamento.
O que é o ajuste do DBS?
Depois da cirurgia, o aparelho de DBS precisa ser programado eletronicamente para atingir o melhor resultado clínico. Isso significa regular os parâmetros de estimulação elétrica (como voltagem, frequência, duração do pulso e localização dos contatos) para controlar melhor os sintomas, sem causar efeitos colaterais.
É como regular a dose de um remédio, só que feito com tecnologia.
Por que os sintomas voltam com o tempo?
Existem alguns motivos:
A doença continua progredindo — o que é natural em casos como Parkinson e tremor essencial;
O aparelho pode estar com programação desatualizada;
Pode haver necessidade de ajustes mais delicados com o tempo, conforme o cérebro responde.
E infelizmente, muitos pacientes não voltam ao neurologista depois da cirurgia. Alguns abandonam o seguimento, outros nem sabem que o aparelho pode (e deve) ser reprogramado.
O que pode melhorar com o ajuste do DBS?
Redução de tremores
Melhora da rigidez e da lentidão
Redução da medicação
Diminuição de efeitos colaterais do estímulo elétrico
Retorno da autonomia e bem-estar
Mas tudo isso só é possível com o ajuste correto e acompanhamento próximo.
Como funciona a reprogramação do DBS?
Na primeira consulta, costumo ficar com o paciente por cerca de duas horas ou mais. Durante esse tempo, realizo uma avaliação minuciosa: observo os sintomas, testo parâmetros diferentes e acompanho a resposta clínica em tempo real.
A meta dessa primeira consulta é garantir que o paciente saia com uma melhora perceptível. Mas é importante saber que podemos não conseguir o ajuste ideal de primeira. Normalmente, são necessárias três ou quatro consultas para alinhar os parâmetros da melhor forma possível.
E mesmo depois de alcançar o ajuste ideal, o acompanhamento continua sendo fundamental. Estamos falando de doenças progressivas, como Parkinson ou tremor essencial, que mudam ao longo do tempo. O que funciona bem hoje pode precisar de ajustes no futuro.
Mesmo que eu não tenha acompanhado a sua cirurgia, posso te ajudar
Nem todo paciente que chega até mim foi operado por minha indicação e isso não é problema. Faço ajustes em aparelhos implantados por outras equipes, com o mesmo cuidado e critério.
Se você ou um familiar sente que os efeitos do DBS não estão mais tão bons quanto antes, ou se ainda não encontrou o ponto ideal de controle dos sintomas, agende uma avaliação. A pior coisa que pode acontecer com um tratamento tão promissor como o DBS é ser abandonado por falta de orientação.

Não desligue seu aparelho. Reprograme.
Se o seu DBS “parou de fazer efeito” ou se os sintomas voltaram, não tome decisões sozinho. Desligar o aparelho pode piorar seu quadro e trazer riscos.
Procure um neurologista com experiência em ajustes de DBS. Em muitos casos, uma simples mudança na programação transforma completamente o resultado.
Sou Dra. Ariely Teotonio Borges, médica neurologista, e trabalho junto com cada um dos meus pacientes, utilizando estratégias que os ajudem a melhorar sua rotina e qualidade de vida.
Fontes:
Deuschl G, et al. Deep brain stimulation: Postoperative issues. Movement Disorders. 2006.
Hariz M, et al. Programming of deep brain stimulation in Parkinson’s disease. Parkinsonism & Related Disorders. 2008.
Okun MS. Deep-brain stimulation for Parkinson’s disease. New England Journal of Medicine. 2012.





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