A Doença de Parkinson tem cura? O que a ciência já sabe sobre tratamento e controle

Essa é uma das primeiras perguntas que ouço de pacientes e familiares logo após o diagnóstico. É uma dúvida legítima e cheia de medo, afinal, ouvir falar de uma doença neurológica progressiva assusta qualquer pessoa.
Neste texto, você vai entender o que a medicina já sabe sobre cura e controle do Parkinson, quais tratamentos existem hoje e por que o diagnóstico precoce faz tanta diferença na qualidade de vida.
O que é o Parkinson?
O Parkinson é uma doença neurodegenerativa, ou seja, progressiva, causada pela perda gradual de neurônios que produzem dopamina em uma região específica do cérebro. Essa perda afeta principalmente o controle dos movimentos, mas também pode causar sintomas não motores, como alterações de sono, humor e olfato.
Parkinson tem cura?
Hoje, não. Não existe cura para o Parkinson, mas isso não significa que a pessoa fica sem opções.
Com o tratamento certo, é possível:
Controlar bem os sintomas motores (tremor, rigidez, lentidão)
Manter autonomia e qualidade de vida por muitos anos
Retardar a progressão dos sintomas mais incapacitantes
Reduzir o impacto dos sintomas não motores (sono, humor, constipação)
Muitos pacientes, com acompanhamento adequado, seguem trabalhando, viajando e mantendo uma vida ativa por anos após o diagnóstico.
Como funciona o tratamento hoje
O tratamento do Parkinson costuma envolver mais de uma frente ao mesmo tempo:
Medicamentos A levodopa continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas motores. Também são usados agonistas dopaminérgicos e outras classes de medicação, ajustadas conforme a fase da doença e a resposta de cada paciente.
Fisioterapia e atividade física Exercício regular tem evidência sólida de ajudar no equilíbrio, na marcha e até na velocidade de progressão de alguns sintomas.
Fonoaudiologia e terapia ocupacional Importantes para sintomas como alteração da voz, dificuldade para engolir e adaptação de tarefas do dia a dia.
Tratamentos avançados Em casos selecionados, quando a medicação já não controla bem os sintomas ou causa efeitos colaterais importantes, a estimulação cerebral profunda (DBS) pode ser indicada. Saiba mais sobre DBS
O que muda com o diagnóstico precoce
Quanto antes o Parkinson é identificado e tratado, maiores as chances de:
Manter a resposta aos medicamentos por mais tempo
Adiar complicações motoras mais complexas
Planejar o tratamento com calma, em vez de em cima da urgência
Trabalhar sintomas não motores antes que impactem muito a rotina

Quando procurar um neurologista
Vale buscar avaliação especializada se você (ou alguém próximo) perceber:
Tremor em repouso, principalmente em uma das mãos
Lentidão progressiva para realizar tarefas do dia a dia
Rigidez muscular ou perda do balanço natural dos braços ao caminhar
Alterações na escrita, na voz ou na expressão facial
Mudanças no olfato, no sono ou constipação persistente, mesmo sem sintomas motores evidentes
O Parkinson não tem cura, mas tem tratamento, e quanto mais cedo ele começa, mais forte é o resultado. Se você notou algum desses sinais em você ou em alguém da família, vale conversar com um neurologista especializado em distúrbios do movimento.
Sou Dra. Ariely Teotonio Borges, médica neurologista com fellowship em Distúrbios do Movimento, e ajudo cada paciente a construir um plano de tratamento que preserve o máximo de qualidade de vida possível, em cada fase da doença.
Fontes
Parkinson's Foundation
Mayo Clinic — Parkinson's disease
National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS)
International Parkinson and Movement Disorder Society (MDS)





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