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Meu pai não deveria mais dirigir? Como essa decisão é tomada

Foto do escritor: Ariely Teotonio Borges
Ariely Teotonio Borges
12 de ago.
2 min de leitura

É uma das conversas mais difíceis que uma família enfrenta depois de um diagnóstico de Alzheimer, muitas vezes mais difícil do que o próprio diagnóstico. Tirar a autonomia de dirigir de um pai ou uma mãe carrega culpa, resistência e, às vezes, brigas sérias em família. E, por isso mesmo, costuma ser adiada mais do que deveria.

Neste texto, você vai entender por que dirigir costuma ser uma das primeiras habilidades afetadas, quais sinais indicam risco real e como conduzir essa decisão com menos conflito.

Por que a direção é uma das primeiras habilidades afetadas no Alzheimer?

Dirigir exige, ao mesmo tempo, atenção dividida, tempo de reação rápido, julgamento de situações imprevistas e memória de curto prazo (lembrar o trajeto, reagir a uma placa, perceber outro carro surgindo). É uma das tarefas mais complexas do dia a dia e por isso, mesmo em fases relativamente iniciais do Alzheimer, pode já estar comprometida, antes de outros sinais ficarem óbvios para a família.

Sinais de que já não é seguro dirigir

Alguns sinais de alerta, relatados por familiares ou percebidos no próprio trajeto, merecem atenção:

  • Se perder em trajetos conhecidos ou demorar muito mais que o normal para chegar

  • Confundir o acelerador com o freio, ou ter reações mais lentas que o esperado

  • Bater ou quase bater com frequência incomum, mesmo em situações simples

  • Ficar confuso em cruzamentos, rotatórias ou ao estacionar

  • Familiares relatando desconforto ou medo ao andar de carro com a pessoa

Um único episódio isolado não significa necessariamente perda de habilidade, mas um padrão recorrente é um sinal real de risco, tanto para quem dirige quanto para terceiros.

Como conduzir essa conversa em família?

Algumas estratégias ajudam a tornar esse momento menos desgastante:

  • Trazer o assunto antes de um incidente grave acontecer, não depois

  • Evitar que a conversa pareça uma "punição" — enquadrar como cuidado, não como castigo

  • Envolver o neurologista nessa conversa, já que uma recomendação médica costuma ter mais peso e menos carga emocional do que uma decisão só da família

  • Planejar alternativas concretas de mobilidade antes de tirar a autonomia (transporte por aplicativo, ajuda de vizinhos ou familiares, adaptação de rotina)

  • Ter paciência: a resistência inicial é praticamente universal, mesmo quando a pessoa reconhece, no fundo, que algo mudou.

    IDOSO DIRIGINDO

O papel do neurologista nessa avaliação

Em casos de dúvida, o neurologista pode ajudar de forma mais objetiva do que a percepção da família sozinha, avaliando funções cognitivas relacionadas diretamente à direção (atenção, tempo de reação e julgamento) e orientando sobre o momento mais seguro para essa transição, inclusive documentando essa orientação quando necessário.

Essa não é uma decisão fácil, mas adiá-la indefinidamente também tem custo, para a segurança do próprio paciente e de quem está ao redor. Ter apoio médico nesse processo ajuda a família a tomar a decisão com mais clareza e menos culpa.


Sou Dra. Ariely Teotonio Borges, médica neurologista, e ajudo famílias a atravessar decisões difíceis como essa, com orientação clara sobre o momento certo de cada mudança na rotina do paciente.



Fontes

  • Alzheimer's Association — Dementia and Driving

  • American Academy of Neurology — Practice guideline on driving risk in dementia

  • National Institute on Aging (NIA)

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Razão Social: ATB SERVICOS MEDICOS LTDA​

Responsável Técnico:
Dra Ariely Teotonio Borges - CRM 8262MT

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