Dá para prevenir o Alzheimer? O que a ciência já comprovou

Quem tem um caso de Alzheimer na família, um pai, uma mãe, um avô, quase sempre chega a essa pergunta: "dá para eu fazer alguma coisa para não ter a mesma coisa?"
Neste texto, você vai entender o que a ciência já sabe sobre prevenção do Alzheimer, quais hábitos têm evidência real de proteção e a partir de que momento da vida vale começar a pensar nisso.
O Alzheimer pode ser evitado por completo?
Não existe, hoje, uma forma de garantir 100% que alguém nunca vai desenvolver Alzheimer. A doença envolve fatores genéticos que não podem ser controlados. Mas isso não significa que nada pode ser feito.
Estudos populacionais mostram que uma parte relevante do risco de demência ao longo da vida está ligada a fatores que podem ser modificados, o que significa que hábitos e cuidados de saúde têm, sim, impacto real, mesmo sem eliminar o risco por completo.
Hábitos com evidência de proteção
Entre os fatores mais estudados e associados a menor risco de declínio cognitivo estão:
Atividade física regular, ao longo de toda a vida adulta
Estímulo cognitivo contínuo (aprender coisas novas, leitura, atividades que exigem raciocínio)
Vida social ativa e manutenção de vínculos
Sono de boa qualidade
Alimentação com padrão mais próximo do mediterrâneo, rica em vegetais, peixes e gorduras boas
O papel do controle de outras doenças (pressão, diabetes, audição)
Um ponto menos conhecido, mas muito estudado atualmente, é a relação entre o cérebro e a saúde do restante do corpo:
Hipertensão e diabetes mal controlados ao longo da vida aumentam o risco de declínio cognitivo
A perda auditiva não tratada está associada a maior risco de demência — e o uso de aparelho auditivo, quando indicado, parece ajudar a reduzir esse risco
Parar de fumar e tratar depressão também entram nessa lista de fatores modificáveis
Ou seja: cuidar do coração, dos vasos sanguíneos e da audição também é, indiretamente, cuidar do cérebro.

A partir de que idade vale começar a se preocupar
Não existe uma idade certa para "começar a prevenir". Quanto mais cedo esses hábitos entram na rotina, melhor, já que o processo que leva ao Alzheimer começa décadas antes dos primeiros sintomas. Fatores de risco na meia-idade (40 a 60 anos), como pressão alta e sedentarismo, têm peso especialmente importante nesse processo.
Mas também nunca é tarde: adotar esses hábitos mesmo depois dos 60 ou 70 anos continua trazendo benefício para a saúde cognitiva.
Prevenção, aqui, não é uma garantia, é redução de risco. E isso já é motivo suficiente para levar a sério.
Sou Dra. Ariely Teotonio Borges, médica neurologista, e converso com meus pacientes não só sobre tratamento, mas também sobre esses fatores de proteção, principalmente quando existe histórico familiar de Alzheimer.
Fontes
Lancet Commission on Dementia Prevention, Intervention, and Care
World Health Organization (WHO) — Risk reduction of cognitive decline and dementia
Alzheimer's Association
National Institute on Aging (NIA)





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