Quem já teve AVC pode beber bebida alcoólica
- Ariely Teotonio Borges

- 19 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Quando alguém passa por um acidente vascular cerebral (AVC), uma das perguntas que inevitavelmente surge na rotina é: posso voltar a beber? A resposta não é simples e depende de muitos fatores que vamos explorar neste texto.
Se você já teve um AVC ou cuida de alguém que passou por isso, continue a leitura para entender os riscos reais do álcool nesse contexto e as recomendações mais seguras para proteger o cérebro.
O que acontece com o cérebro depois de um AVC
O AVC, seja isquêmico (por obstrução) ou hemorrágico (por rompimento de vaso), deixa marcas. Mesmo que a pessoa recupere parte ou todas as funções afetadas, o cérebro segue mais vulnerável.
Nessas condições, qualquer fator que aumente a pressão arterial, altere a viscosidade do sangue ou afete o sistema vascular pode elevar o risco de um novo evento.
E o álcool entra justamente aí
O álcool, em especial quando consumido em excesso ou com frequência, pode:
Aumentar a pressão arterial
Alterar o ritmo cardíaco
Interagir com medicações como anticoagulantes e antiplaquetários
Desidratar o organismo
Prejudicar o funcionamento do fígado, responsável por metabolizar muitos remédios
Ou seja: ele impacta justamente os sistemas que mais exigem cuidado após um AVC.
“Mas doutora, e se for só socialmente?”
É verdade que algumas pessoas voltam a consumir pequenas quantidades de álcool após um AVC. Mas esse retorno deve ser sempre discutido com o médico responsável.
Em alguns casos, até mesmo doses pequenas podem interferir na medicação ou no controle da pressão. O histórico do paciente, o tipo de AVC e os fatores de risco associados (como diabetes, colesterol alto e fibrilação atrial) também precisam ser levados em conta.
O problema não é só físico, é também de julgamento
O álcool afeta o raciocínio, o equilíbrio e a capacidade de tomar decisões. Para quem já sofreu um AVC, essa combinação pode ser ainda mais arriscada.
Uma queda boba após algumas taças pode se transformar em algo sério. Um esquecimento de dose do remédio pode acontecer. E aos poucos, o risco volta a aumentar.

A recomendação médica é clara: cautela máxima
Na prática, o que orientamos no consultório é:
Evitar completamente o álcool nos primeiros meses após o AVC
Discutir qualquer reintrodução com o neurologista ou clínico que acompanha o caso
Nunca misturar bebida com a medicação prescrita sem orientação clara
Em muitos casos, manter-se afastado do álcool é a decisão mais segura — e a que mais contribui para a estabilidade a longo prazo.
Beber pode parecer inofensivo, mas para quem já sofreu um AVC, as consequências podem ser sérias, mesmo quando o consumo é eventual ou em pequenas quantidades.
Cada decisão conta. E evitar o álcool, nesses casos, é mais do que uma restrição: é um cuidado com a vida que ainda está por vir.
Sou Dra. Ariely Teotonio Borges, médica neurologista, e trabalho junto com cada um dos meus pacientes, utilizando estratégias que os ajudem a melhorar sua rotina e qualidade de vida.
Fontes:
📚 Referências:
American Heart Association. Alcohol and stroke: What you should know.
National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS).
World Stroke Organization Guidelines.
Sociedade Brasileira de Neurologia e publicações correlatas.





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