Perda de olfato pode ser sinal de Parkinson anos antes do diagnóstico?
- Ariely Teotonio Borges
- há 20 horas
- 2 min de leitura
Você percebeu que seu pai ou avô está sentindo menos cheiro do que antes? O café não tem mais o mesmo aroma, a comida parece mais “sem graça”. Provavelmente pensou em sinusite, rinite ou até nos efeitos de uma gripe.
Mas você sabia que a perda de olfato também pode ser um dos primeiros sinais do Parkinson, surgindo anos antes do tremor ou da lentidão que a maioria das pessoas associa à doença?
Neste texto, você vai entender por que isso acontece, o que a ciência já sabe sobre esse sinal precoce e quando vale a pena investigar.
Por que o Parkinson afeta o olfato?
O Parkinson não começa, na maioria das vezes, pelos sintomas motores que conhecemos. Estudos mostram que o processo da doença pode começar em regiões do cérebro e do sistema nervoso ligadas ao olfato e à digestão, muito antes de atingir as áreas responsáveis pelo movimento.
Por isso, a perda de olfato, chamada de hiposmia (perda parcial) ou anosmia (perda total), está entre os sintomas não motores mais precoces e mais estudados como possível sinal de alerta do Parkinson.
O que a ciência sabe sobre esse sinal precoce
Pesquisas acompanhando pessoas ao longo dos anos mostram que a perda de olfato pode aparecer vários anos antes dos primeiros sintomas motores do Parkinson, junto com outros sinais não motores, como:
Alterações no sono, especialmente sonhos muito vívidos ou agitados, com movimentos durante o sono REM
Constipação intestinal persistente e sem outra causa aparente
Alterações sutis de humor, como ansiedade ou apatia
Por isso, esses sintomas combinados vêm sendo estudados como parte de uma fase chamada pré-motora ou prodrômica do Parkinson, quando a doença já está em curso, mas os sintomas clássicos ainda não apareceram.
Perder o olfato sempre significa Parkinson?
Não, de forma alguma. A perda de olfato é um sintoma muito comum e, na imensa maioria das vezes, está relacionada a causas bem mais frequentes, como:
Sinusite e rinite crônica
Infecções virais (incluindo COVID-19)
Tabagismo
Envelhecimento natural do olfato
Uso de determinados medicamentos
Ter apenas a perda de olfato, isoladamente, não é motivo para alarme nem sinal isolado suficiente para suspeitar de Parkinson.

Quando vale investigar?
A perda de olfato ganha mais relevância clínica quando aparece junto com outros sinais, como:
Alterações do sono com movimentos ou "atuação" de sonhos
Constipação persistente sem outra explicação
Mudanças discretas na letra, na voz ou em pequenos movimentos automáticos (como o balanço dos braços ao caminhar)
Histórico familiar de Parkinson de início precoce
Se você notar essa combinação de sinais, e não apenas a perda de olfato isolada, vale conversar com um neurologista especializado em distúrbios do movimento para uma avaliação mais completa.
Sou Dra. Ariely Teotonio Borges, médica neurologista com fellowship em Distúrbios do Movimento, e acompanho pacientes desde os sinais mais sutis até o manejo das fases mais avançadas do Parkinson.
Fontes
National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS)
Parkinson's Foundation — Non-motor symptoms
Mayo Clinic — Parkinson's disease symptoms
International Parkinson and Movement Disorder Society (MDS)

