7 sinais precoces da doença de Parkinson
- Ariely Teotonio Borges

- 25 de fev.
- 4 min de leitura
Quando alguém fala em doença de Parkinson, a primeira imagem que costuma vir à cabeça é o tremor nas mãos. Só que, na prática, os primeiros sinais nem sempre são tão óbvios assim. Às vezes começam com uma lentidão discreta, uma perda de agilidade para tarefas simples, alterações no sono ou até no intestino.
Neste texto, quero explicar de forma clara quais são os sinais precoces mais comuns da doença de Parkinson, como percebê-los no dia a dia e quando vale a pena procurar um neurologista.
1. Tremor em repouso que aparece de um lado só
O tremor típico da doença de Parkinson costuma:
começar em apenas um lado do corpo
aparecer principalmente quando a mão está em repouso
diminuir quando a pessoa movimenta o membro ou o usa para alguma tarefa
Geralmente é um tremor mais “lento”, com um ritmo relativamente constante, que pode acometer mão, braço, queixo ou perna. Com o tempo, pode passar a afetar os dois lados do corpo.
Nem todo tremor é Parkinson, mas um tremor novo, em repouso, que começa em um lado do corpo e persiste por semanas ou meses merece avaliação neurológica.
2. Lentidão para se movimentar e executar tarefas simples
Chamamos isso de bradicinesia. É uma das marcas da doença de Parkinson e muitas vezes aparece antes do tremor.
Na prática, a pessoa:
demora mais para iniciar um movimento, como levantar da cadeira
sente que “trava” no meio do caminho
leva mais tempo para se vestir, abotoar uma camisa, amarrar o sapato
percebe que tudo ficou mais devagar, como se o corpo estivesse “pesado”
Às vezes familiares notam antes da própria pessoa, comentando que o caminhar ficou mais lento ou que ela está “menos ágil”.
3. Rigidez e dor muscular sem explicação clara
Outro sinal precoce é a rigidez muscular, que pode ser sentida como:
sensação de corpo “duro” ou “travado”
dificuldade para girar na cama
dor em ombros, pescoço ou costas sem causa ortopédica aparente
Muitas pessoas passam meses tratando apenas como “dor na coluna” ou “tendinite”, sem saber que pode haver um componente neurológico por trás. Na doença de Parkinson, essa rigidez está ligada à alteração de dopamina em áreas profundas do cérebro responsáveis pelo controle fino dos movimentos.
4. Mudanças no caminhar e na postura
A forma de caminhar também costuma mudar aos poucos:
passos mais curtos
redução do balanço de um dos braços
tronco mais inclinado para a frente
sensação de arrastar os pés
Em fases mais avançadas, pode surgir o que chamamos de “freezing”, quando a pessoa tenta sair andando, mas parece que os pés grudam no chão por alguns segundos. Mas alterações sutis na marcha podem estar presentes desde o início.
5. Sinais não motores que aparecem anos antes
Um ponto importante: a doença de Parkinson não é apenas um problema de movimento. Em muitas pessoas, os sinais não motores aparecem anos antes dos sintomas clássicos.
Entre os mais frequentes:
Perda de olfato
Dificuldade para sentir cheiros, como café, perfume ou comida, pode aparecer muito antes do tremor. Muitas vezes é atribuída a rinite ou “nariz entupido”, mas em alguns casos é um marcador precoce da doença de Parkinson.
Constipação
O intestino mais preso, com necessidade de esforço maior para evacuar de forma crônica, também é comum em estágios iniciais. Isso acontece porque o sistema nervoso que controla o intestino também pode ser afetado.
Alterações de sono
Um dos quadros mais típicos é o transtorno de comportamento do sono REM, em que a pessoa “encena” os sonhos: fala alto, faz movimentos bruscos na cama e às vezes chega a dar socos ou chutes durante o sono. Esse tipo de alteração pode surgir muitos anos antes do diagnóstico.

6. Mudanças na escrita, na fala e na expressão do rosto
Outro conjunto de sinais precoces envolve a comunicação:
letra menor e mais apertada, chamada de micrografia, que vai diminuindo ao longo de uma mesma frase
fala mais baixa, monótona, com dificuldade de projeção da voz
expressão facial mais “parada”, com pouca mudança de fisionomia, como se o rosto estivesse menos expressivo
Esses sinais podem passar despercebidos no início, mas quando olhamos um conjunto de sintomas, ajudam muito na suspeita diagnóstica.
7. Alterações de humor, apatia e cansaço sem motivo claro
Depressão, ansiedade, apatia e fadiga intensa também são comuns na fase inicial da doença de Parkinson. Em muitos casos, surgem antes mesmo das queixas de tremor ou rigidez.
Nem toda depressão ou cansaço significa Parkinson, claro. Mas quando esses sintomas aparecem junto com alguma alteração motora, é um ponto de atenção importante.
Quando desconfiar e procurar um neurologista?
Vale a pena marcar consulta com neurologista, preferencialmente com experiência em distúrbios do movimento, se você ou um familiar perceber:
tremor em repouso que não melhora com o tempo
lentidão e rigidez de um lado do corpo
mudanças na marcha e na postura
combinação de sintomas motores e não motores, como tremor, constipação, perda de olfato e alterações de sono
O diagnóstico é clínico, feito na consulta, com exame neurológico detalhado. Em alguns casos, peço exames complementares para afastar outras causas, mas não existe um único exame de sangue ou de imagem que “confirme” a doença de Parkinson de forma isolada.
Quanto mais cedo avaliamos, mais cedo conseguimos:
ajustar medicações
orientar atividade física e reabilitação
planejar o cuidado a longo prazo
preservar qualidade de vida
Sou Dra. Ariely Teotonio Borges, médica neurologista, e trabalho junto com cada um dos meus pacientes, utilizando estratégias que os ajudem a melhorar sua rotina e qualidade de vida.
Fontes:
Parkinson’s Foundation. “10 Early Signs of Parkinson’s Disease”.
Mayo Clinic. “Parkinson’s disease: Symptoms and causes”.
National Institute of Neurological Disorders and Stroke. “Parkinson’s Disease Information Page”.
NHS Inform. “Parkinson’s disease”.





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